Desabafo… Sobre Louvor & Adoração

Queridos irmãos da jornada…

Estava aqui me deliciando ao ouvir a música ‘Salmo 131′ do Louvor IV – Vencedores por Cristo. Segue a letra, que é o Salmo na íntegra:

Senhor, meu coração não se elevou
Nem meus olhos levantaram,
Não me exercito em grandes assuntos
E nem em coisas elevadas para mim.

De certo eu fiz calar e sossegar a minh’alma,
Qual criança desmamada pra com sua mãe,
Tal é minh’alma pra comigo.

Espera, Israel, no Senhor,
Desde agora e para sempre, amém!

Para mim, além de ser um dos meus salmos mais ‘chegados’, o tema melódico é bem envolvente – e melancólico (faz meu tipo!).

Eu, pessoalmente, sou apaixonado pelo trabalho dos Vencedores por Cristo, principalmente pelo caráter e visão do trabalho (missões-adoração). Coisa rara hoje em dia! Em um dos últimos eventos que participei, eles estavam se organizando para trabalhar numa aldeia indígena. Coisa séria.

Com todo respeito… se a moçada que hoje em dia fala tanto de adoração, fizesse sua missão pessoal e coletiva na mesma intensidade, pelo menos, eu também com certeza iria aderir a ‘idéia’. Mas (digo isso com tristeza), infelizmente, muito do que se diz ser ‘adoração’ hoje em dia, nada mais é do que um produto, um marketingcristão-contemporâneo.

Isso parece chocante, mas reflita, o fato é que hoje ‘adoração’ se compra, se ‘leva pra casa’… tipo assim: aquele cara, que foi artista a vida inteira, de repente, aderiu a ‘adoração’… agora ele é um ‘adorador’, e todos agora compram os seus cds, porque agora ele está tocando ‘adoração’… já viram isso? Não quero dizer com isso que ninguém deve deixar de ser um pop star, ou um rock star e passar a dirigir cânticos comunitários (conhecidos como congregacionais). Só quero entender porque nos últimos anos, uma enxurrada de gente tem se tornado ‘adoradora’ segundo certos padrões estabelecidos, e não tem transformado o meio em que vive.

Conheci vários desses ‘adoradores’… sinceramente, prefiro continuar com a simplicidade do Evangelho, que me ensina que muitas vezes o samaritano é mais ‘adorador’ do que o levita e o sacerdote… basta ler o texto e ver como Jesus mostrou a importância da compaixão pelo próximo como culto a Deus.

Isso na realidade é um assunto bem longo, mas para resumir um pouco, quero dizer aqui no Nome do Senhor que, adoração não ocorre em lugares específicos e nem de formas específicas, a não ser em espírito e em verdade. Se qualquer coisa que fizermos ou cantarmos não estiver de acordo com a verdade no íntimo, o que estamos fazendo é mera bobagem religiosa, uma adoração falsa, uma honraria com os lábios somente. Agora, se nos dirigimos a Deus em oração, ou em cânticos, que seja apenas em espírito, e em verdade. O restante, são apenas meios (como a música).

Músicos e artistas cristãos, vamos ser sinceros… é fácil dizer mas difícil de reconhecer que: música não é adoração!

Adoração pode ‘ter’ ou ‘ser com’ música.

Música pode não ser necessariamente adoração.

Já perceberam como ‘adoração’ virou estilo musical?!

– “Cara, eu ‘curto’ mais adoração”… (ele está se referindo aquelas músicas lentinhas que tocam no culto, após as de ‘louvor’, isto é, as rapidinhas…)

Outro dia estava em um evento de missões onde várias igrejas participam (normalmente vão umas 4, 5 mil pessoas de igrejas do Brasil), e vi uma líder de um grupo de dança explicando para as meninas o que elas deveriam fazer assim que acabasse o ‘louvor’ (rapidinhas) e ‘entrasse’ em adoração (já sabem)… é mole?!

Pra encerrar (desculpem os que estão revoltados com o que eu disse) mas: eu quero ver ‘adoração’ quando tirarmos a fumaça, luzes, som, palco, dança, barulho, e toda aquela parafernália de equipamentos utilizados, e então dissermos: “irmãos, agora vamos louva-Lo e adora-Lo”.

Mais uma vez, digo tudo isso como alguém que toca, canta, e tem procurado, antes disso, adorar junto com o seu grupo local.

Ah! No dia em que entendi um pouco isso não sabia onde colocar a cara… rsrsrs

Grande abraço a todos, paz!