O Evangelho que poucos desejam

Ele não nos prometeu riquezas terrenas.

Não disse que teríamos fartura de bens materiais.

Muito pelo contrário, uma das coisas que Ele tratou de modo mais severo foi justamente o fato da impossibilidade do homem servir a Deus e às riquezas.

É impossível andar com Ele e ser ‘apegado’ às coisas da terra.

Ele nos garantiu que nesse mundo teríamos muitas aflições.

Seríamos perseguidos por causa da justiça,

Odiados por todos por causa do Seu Nome.

Ele afirmou que veio trazer espada, e assim pais se colocariam em dissensão contra os filhos, membros das famílias se virariam um contra o outro, de forma que os inimigos seriam os da própria casa.

Ele diz tudo isso até mesmo por ser incabível alguém amar mais o seu pai, sua mãe e/ou filhos, e ser digno d’Ele.

Muitos seriam entregues a humilhação nos templos e sinagogas, colocados perante governadores e reis.

Resumindo de modo geral, Ele ensina que é impossível segui-Lo sem negar-se a si mesmo. Tomar a sua cruz (morte), e a partir daí, segui-Lo.

Isso tem acontecido ao longo da história, desde que Ele afirmou essas coisas, dentro da realidade de cada era, povo, cultura.

Paralelo a isso, outros evangelhos têm sido pregados desde então, uns prometendo riquezas e ‘bençãos’ da prosperidade, outros, uma vida cristã fácil e ‘feliz’ em todo tempo. Outros ainda têm a ousadia de ensinar um evangelho sem dificuldades, cansaço e quem sabe até prejuízos.

Mas existem duas coisas que Ele nos prometeu:

1) A paz inexplicável, que ultrapassa todo e qualquer entendimento, que é Sua própria paz.

2) Em Cristo todas as nossas necessidades serão supridas.

Ainda com o fato de saber que nossas necessidades serão supridas, eu ouso perguntar, baseado nas coisas que os cristãos primitivos (que não tinham nada de primitivos) sofreram por causa do evangelho, se nós sabemos realmente o que é NECESSIDADE?

Desculpem-me os que discordam, mas com toda franqueza, eu acredito que ainda passando por tudo que eles passaram, Deus não deixou de suprir cada um em suas necessidades.

Na verdade, eu acredito mesmo é que nós não precisamos nos preocupar, já que Ele prometeu cuidar de nossas necessidades, cada uma delas.

Uma característica de alguém que anda com Jesus é que não vive ansioso.

Quem vive ansioso não conhece direito ao Senhor.

Uma coisa fantástica que eu vejo no evangelho é o irmão Paulo afirmando que nem mesmo a morte, nem a vida, nem os anjos, nem espíritos malignos, por mais poderosos que sejam, nem o presente, nem o porvir, nem a fome, a nudez, nem perigo algum, nem tribulação ou angústia, podem separar-nos do amor de Deus.

O estranho é ver que, o mesmo Paulo que garante que Deus cuidará de nossas necessidades, diz que podemos vir a passar por cada uma dessas coisas na vida, mas nada disso nos separaria do amor d’Ele. Para o irmão Paulo isso é o mais importante.

Isso é uma coisa difícil de entender naturalmente, ou melhor, impossível.

Para mim o ‘possível’ é somente aceitar pela fé o fato de que Deus supre todas as nossas necessidades, e ainda que vivamos as dificuldades mais terríveis desta vida, nada disso nos separará do amor de Deus.

Paradoxo? Talvez… Mas é um paradoxo transformador, maluco e cheio de Vida!

Eu particularmente prefiro aceitar esse Evangelho que diz tudo o que pode vir a acontecer, mas promete paz e suprimento para a vida.

Prefiro crer e andar no evangelho que diz realidades duras de aceitar, coisas difíceis de ‘engolir’, mas promete Vida para além da vida, paz para além do entendimento, isso dá sim pra chamar de Eternidade!

Prefiro andar com um Deus-humano, que, como diz Jorge Camargo, ‘que virou menino, que desceu na estrada do tempo e da história’. Está conosco, não para tirar-nos o sofrimento possível na terra, mas para dar-nos paz para suportar qualquer coisa, e assim ajudar outros que estão cansados da estrada chamada vida.

Com muito carinho e respeito aos que pensam e vivem diferente,

Vinícius de Oliveira