Sentindo-se afadigado!

Ouvi-me, todas as ilhas, e vós, povos e nações longínquas, prestai atenção!

Antes de eu nascer Yahweh me escolheu e convocou; desde o ventre de minha mãe ele pronunciou o meu nome.

De minha boca fez uma espada cortante, abrigou-me na sombra da sua mão; fez de mim uma seta afiada, escondeu-me na sua aljava.

Disse-me: “Tu és meu servo, Israel, em quem me gloriarei”.

Todavia considerei: Tenho me afadigado sem qualquer compensação; tenho despendido minhas forças em vão e para resultado algum.

Contudo, o que me é devido está seguro nas mãos de Yahweh e a minha recompensa guardada com o meu Deus (Is 49:1-4).

Muitas vezes, mesmo sabendo do nosso chamado, das promessas de Deus pra nós, de tudo o que Ele já falou com a gente, sentimos como que “correndo em vão”. O desgaste, a fadiga, faz com que nosso trabalho pareça não estar dando resultado.

Às vezes parece até que estamos correndo sozinhos. Ninguém parece se importar, afinal, ninguém quer perder tempo com as coisas de Deus. E isso nos gera uma “santa indignação”.

Certa vez Davi disse: “Do céu, observa Deus os filhos dos seres humanos, a fim de ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram, semelhantemente se corromperam; não existe alguém que pratique o bem, não existe nem mesmo uma só pessoa” (Sl 53:2).

Moisés, ao ver como os hebreus eram tratados no Egito também se indignou, e depois acabou sendo usado por Deus justamente para livrar esse povo da escravidão.

Jesus, ao ver o que estava sendo feito com aquele lugar que foi construído para ser uma “Casa de Oração”, não só indignou-se como também expulsou os cambistas de lá, denunciando que eles transformaram essa casa em uma toca de vigaristas!

De fato há muitas coisas para se falar hoje sobre o que estão fazendo com o Evangelho de Jesus. Não precisaria nem ir muito longe: basta ligarmos a TV para ver a fé em Cristo sendo vendida como um produto que pudesse ser comprado. Mas não é disso que estou falando.

Falo das guerras que temos vivido dentro das quatro paredes das nossas igrejas, no meio da nossa liderança; guerras tais como, quando competimos, quando “começamos” uma outra igreja já com 200 pessoas (?); quando cada um dentro corre atrás do seus próprios interesses e não o dos outros; quando faltamos com devido respeito pelos nossos pastores – guias espirituais – segundo o livro de Hebreus, diga-se de passagem.

Confesso que continuam me chocando os “desigrejados”, “independentes” na fé, os que mudam de igreja porque não gostaram do que ouviram!

Ah, Vinícius, mas a coisa toda está feia!

Sim, isso é verdade, mas graças a Deus não é a minha realidade (pelo menos não na minha família e liderança!). Tenho pais e pastores tementes a Deus, que não “entraram nessa” pra ganhar dinheiro. Sou privilegiado por fazer parte de um meio que, mesmo com todos os escândalos que temos visto por aí, têm se mantido íntegros na Fé!

Então o que me choca?

O que me choca é exatamente o que essa geração de líderes e pa$tore$ da TV geraram. O que me choca é exatamente o que as pessoas que não tem andado com Deus geraram: uma geração rebelde, inconstante, insubordinada, desobediente aos pais e autoridades, sem amor e afeição, interesseiros, falsos e egoístas!

É exatamente nesse ponto que quero chegar: o que essa geração tem causado em nós, pastores (muito falhos, é verdade!) que têm buscado servir a Deus em sinceridade de coração? Tem causado exatamente o que disse no título: fadiga, cansaço!

Em outras palavras, os líderes têm morrido mais cedo (sem falar nos que têm tirado a própria vida), se estressado e se afadigado justamente porque muitas vezes servem a um povo insubordinado!

“Sede obedientes aos vossos líderes espirituais e submissos à autoridade que exercem. Pois eles zelam por vós como quem deve prestar contas de seus atos; para que ministrem com alegria e não murmurando, porquanto desta maneira tal ministério não seria proveitoso para vós outros” (Hb 13:17).

Mais uma vez digo, há lobos sim, ao invés de pastores; mercenários, e foram eles que cooperaram para esse cenário atual, da mesma forma que há crentes ainda que nos dão uma alegria tão grande, que geralmente até dizemos: “ah, queria ter uns 10 desse por aqui!”.

É por isso que faço das minhas palavras esse desabafo do profeta, onde ele sente que tem “despendido forças em vão e para resultado algum”.

Porém ele continua dizendo ainda no versículo 4:

“Contudo, o que me é devido está seguro nas mãos de Yahweh e a minha recompensa guardada com o meu Deus”.

Vale a pena! Ainda vale a pena!

E não estou aqui de forma alguma criticando pessoas e colocando os pastores num patamar elevado; muito pelo contrário! Nós, líderes, somos apenas os “remadores do último porão”, existimos apenas para servir, e como Paulo dizia, também nos sentimos assim: “o pior dos pecadores”, carentes da mesma graça de Deus!

Isso é apenas um desabafo!

Hoje, estou fazendo uma consulta no cardiologista, que pediu uma bateria de exames, pois tenho passado muito mal com crises de pânico e ansiedade.

Sou ansioso? Nunca fui. Sou agitado? Nunca!

Sempre fui tranquilo, meu prazer sempre foi estar no meu cantinho em casa tocando meu piano, ouvindo boa música!

Mas o que eu e minha esposa vivemos nos últimos anos, é uma descarga emocional desproporcional à nossa estrutura. Foi realmente demais pra gente.

Por isso, precisamos de muita, mas muita oração e compreensão! Assim como passamos horas e horas orando e ouvindo cada um de vocês, chorando com vocês, e levando a carga de vocês.

Sei que não morrerei, antes, viverei e contarei as obras do SENHOR!

Vinícius de Oliveira

Autor: Vinicius Oliveira

Discípulo de Cristo, marido da Raquel, pai da Melissa e Débora. Sirvo, como pastor e líder de adoração na Igreja Movidos em Poá (São Paulo/Brasil). Tecladista desde os 8 anos, mas só agora depois de “véio”, finalmente me formei em Música! Tenho participado de várias produções musicais a mais de 20 anos. Também sou formado em Teologia. Disciple of Christ, Raquel´s husband, Melissa and Debora´s father. Serving as pastor and worship leader at Movidos Church in Poá (São Paulo/Brazil). Keyboard player since 8 years old, but only now after being an old guy I finally graduated in Music! I´ve been on several musical recordings for over 20 years. I also have a degree in Theology.

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